terça-feira, 31 de dezembro de 2019

VOCÊ PREFERE SEU AÇAÍ COM GRANOLA, BANANA OU TRABALHO INFANTIL?

Alessandro tem 13 anos, mas já é o melhor apanhador de açaí da sua casa. Ele mora em Abaetetuba, a 70 km de Belém. Às 5h, ele já está de pé, a fim de evitar o sol quente do Pará – ultrapassa os 35 graus às 10h. Seu corpo leve e pequeno é a única garantia de segurança que ele tem ao subir nos açaizeiros.
A árvore da fruta, de tronco fino e flexível, passa com frequência dos 20 metros de altura e faz parte da paisagem e dos quintais de boa parte dos ribeirinhos do Pará. É difícil encontrar quem não saiba fazer uma peconha, como é chamado o laço usado para subir nas palmeiras e que batiza quem ganha a vida colhendo açaí, os peconheiros. O trabalho exige destreza, e o aprendizado começa na infância.
O Pará é o maior produtor de açaí do mundo. Vendemos, principalmente, para os EUA, Europa, Austrália e Japão. E grande parte da colheita é feita por menores de idade como Alessandro, em alguns casos em situações de trabalho análogo à escravidão.
As crianças são especialmente valorizadas nesse mercado. Elas são leves, o que reduz acidentes com a quebra dos galhos. Para otimizar o trabalho, muitos peconheiros se arriscam pulando de uma palmeira para a outra. Assim não precisam perder tempo descendo e subindo de árvore em árvore. Quanto mais frutas colhidas no menor tempo, maior o lucro.
A missão de Alessandro é ajudar o pai, Bolacha, e o irmão mais velho Adenilson, de 20 anos, a encher o maior número de cestas de açaí possíveis antes que os atravessadores, que revendem a fruta no porto, passem pela sua casa na metade da manhã. O material de trabalho é mínimo: o laço da peconha e um facão enfiado na bermuda. Cada cesto de cerca de 28 kg sai por entre R$ 15 e R$ 20. Em um dia de trabalho dificilmente eles conseguem encher mais de 20 cestos.
Mãe de Alessandro, Jacira Pereira conta que ela, o marido e os seis filhos vivem com R$ 641 que recebem de Bolsa Família pelos cinco filhos menores de idade mais a renda que conseguem com a venda do açaí – até R$ 500 nos meses bons. “É o que ajuda a comprar o que comer”, me disse. O filho de dez anos ainda não trabalha “por ser novo demais”. As duas meninas, de 12 e quatro anos, não sobem nas árvores, mas já ajudam a debulhar os cachos da fruta.

sábado, 21 de dezembro de 2019

FÓRUM DO AMAPÁ AVALIA AÇÕES DE COMBATE AO TRABALHO INFANTIL REALIZADAS EM 2019

O Fórum Estadual de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (Fepeti) do Amapá realizou reunião, nesta quinta-feira (19/12), para avaliar as ações realizadas em 2019. Uma das ações realizadas em novembro de 2019, e que mereceu destaque na reunião, foi a participação do Fepeti nos eventos comemorativos dos 25 anos do Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (FNPETI). A jovem Darah Alessandra representou os adolescentes e jovens do Amapá no evento,  por indicação do Fepeti. Desde 2016 ela representa o Amapá no Comitê Nacional do Adolescentes pela Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil  (Conapeti). 
O primeiro evento foi realizado no dia 28.11.2019:  colóquio sobre os Desafios para a Eliminação do Trabalho Infantil. No dia seguinte, a Darah e demais adolescentes e jovens participaram da oficina de educomunicação. "Pude também apresentar ao fórum a proposta de ação que foi elaborada por mim em Brasília para realizar no dia 12 de junho - Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil, que o fórum Fepeti deu total apoio e o auxílio possível para a realização", avalia Darah Alessandra.


sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

MPT LANÇA CAMPANHA DE COMBATE AO TRABALHO INFANTIL NO VERÃO

O Ministério Público do Trabalho (MPT) lançou, nesta sexta-feira (20), em Maceió, uma campanha de conscientização para combater o trabalho infantil durante o período de verão.  O objetivo é atuar em parceria com diversos órgãos e empresas para reduzir trabalho infantil em Alagoas.
A campanha conta com o apoio da Prefeitura de Maceió, Governo de Alagoas, Tribunal Regional do Trabalho (TRT/AL), Fórum de Erradicação do Trabalho Infantil e Proteção ao Adolescente Trabalhador (Fetipat/AL), Serviço Nacional do Comércio (Senac/AL) e Associação dos Conselheiros e Ex-Conselheiros Tutelares de Alagoas (ACECTAL).
Em 2016, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), realizada pelo IBGE, apontou a existência de 35 mil crianças e adolescentes em situação de trabalho em Alagoas, na idade de 5 a 17 anos, sendo 28 mil em atividades econômicas e 8 mil em atividades de sobrevivência. Os dados das PNAD  2017 e 2018 ainda não foram divulgados pelo IBGE.
Em 2017,  o Censo Agropecuário, também realizado pelo IBGE, apontou a existência de 8,8 mil  crianças e adolescentes trabalhando em estabelecimentos agrícolas. Desse total, 89,4% tinha menos de 14 anos. Por outro lado, a Provinha Brasil, realizada pelo MEC com crianças e adolescentes de 5º e 9º anos do Ensino Fundamental, apontou 9,6 mil  alunos que trabalham fora de casa, sendo 6,3 mil do 5º ano e 3,3 mil do 9º ano.


quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

VITÓRIA DAS CRIANÇAS: LIMINAR DO STF SUSPENDE DECRETO DE BOLSONARO QUE ESVAZIAVA CONANDA


O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu nesta quinta-feira (19) parte do decreto 10.003/2019, do presidente  Jair Bolsonaro, que alterou o funcionamento do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda).

A liminar, concedida em ação ajuizada pela Procuradoria Geral da República, determinou:

-  restabelecimento do mandato dos antigos conselheiros até o fim;

- eleição dos representantes das entidades da sociedade civil em assembleia específica, conforme o regimento interno do Conanda;

- manutenção de realização de reuniões mensais pelo órgão;

- pagamento do custo do deslocamento dos conselheiros que não residem no Distrito Federal;

- realização da eleição do presidente do Conanda na forma do regimento.

Conforme noticiado por esse blog, o Decreto 10.003, questionado pelo Ministério Público e por todos que lutam pelos direitos da criança e do adolescente, é mais um ato presidencial que contraria a Constituição Federal. Editado no dia 4 de setembro de 2019, decreto impugnado  alterou o Decreto nº 9.579, de 22 de novembro de 2018, restringindo o funcionamento do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) e destituindo os atuais Conselheiros.



Enquanto a Constituição Federal (art. 227) e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) determinam prioridade absoluta e proteção integral para crianças e adolescentes, o malsinado decreto desprestigiou o órgão nacional da infância,  destituindo todos os atuais conselheiros, empossados para o biênio 2019/2020. Ao longo desses três meses e meio ficaram prejudicadas todas as deliberações relativas às políticas publicas para criança e adolescentes da competência do Conselho. 



Para o ministro Barroso, o decreto "esvazia e inviabiliza" a participação de entidades no conselho. O Conanda é responsável, entre outras coisas, por definir diretrizes para a política nacional de defesa da criança e do adolescente, além de fiscalizar as ações executadas pelo governo no que diz respeito à população infanto-juvenil.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

MPT PARTICIPA DE CAPACITAÇAO DE CONSELHEIROS TUTELARES EM TOCANTINS


A Procuradora do Trabalho Lydiane Machado e Silva (MPT/TO) participou, nesta sexta-feira (13/12) de mais uma capacitação para conselheiros tutelares em Palmas-TO. O evento foi promovido pelo Centro de Defesa da Criança e do Adolescente (Cedeca) de Tocantins. A Procuradora falou sobre o papel dos conselhos tutelares no combate ao trabalho infantil. “Considero fundamental a atuação dos Conselheiros no enfrentamento do trabalho infantil”, destaca Lydiane. Essa é a terceira vez que o MPT participa desse tipo de capacitação no Estado no final de ano. No dia 28 de novembro a Procuradora  participou da capacitação de para conselheiros, promovida pela Defensoria Pública do Estado.  

No primeiro semestre de 2020 o MPT promoverá uma capacitação para os conselheiros de Tocantins, tratando especificamente sobre combate ao trabalho infantil e políticas públicas.  A iniciativa do MPT acontece também em outras Unidade da Federação. Procuradores do Trabalho ligados à Coordenadoria Nacional de Combate à Exploração do Trabalho da Criança e do Adolescentes (Coordinfância) tem buscado essa aproximação com os conselheiros tutelares em o Brasil. O objetivo é fortalecer a rede proteção e a luta contra o trabalho infantil. A capacitação dos conselheiros tem sido  promovida  tanto em eventos presenciais, quanto por meio de EAD (educação a distância). O curso "Conselheiros Tutelares: importantes atores no combate ao trabalho infantil" já contemplou milhares conselheiros tutelares em todo o Brasil.

BELÉM DEBATE AÇÕES ESTRATÉGICAS DE PREVENÇÃO E COMBATE AO TRABALHO INFANTIL

Aconteceu, nesta sexta-feira (13/12), um seminário para debater ações estratégicas de prevenção e combate ao trabalho infantil na cidade de Belém. O evento foi provido pela Secretaria Municipal em parceria com a Secretaria de Estado de Assistência Social, Trabalho, Emprego e Renda - SEASTER. Participaram do evento profissionais dos Cras, dos Creas, Conselho Tutelar, Educação, Saúde, além de representantes do Fórum Estadual de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil. 

O seminário objetivou contextualizar a questão do trabalho Infantil, possibilitar reflexão sobre as implicações do trabalho precoce no desenvolvimento social de crianças e adolescentes e debater estratégias de enfrentamento ao trabalho infantil no município de Belém dentre outros temas. Atuaram como palestrantes os seguintes profissionais: Elaine Lobato Nery - Mestranda em Serviço Social/ Profa. Dra. Cilene Braga - UFPA / Andrea Cardoso - SEASTER/ Lana Lemos - FUNPAPA e Ewerson Costa - Dieese.
Na avaliação da representante do Fórum Estadual,  kleidilena Teles, Psicóloga,  o evento foi importante para a sensibilização dos parceiros na realidade e atuação de uma forma articulada com estados, municípios e sociedade civil no sentido de implantarem estratégias mais contundentes de combate ao trabalho infantil .