quinta-feira, 2 de janeiro de 2020
terça-feira, 31 de dezembro de 2019
VOCÊ PREFERE SEU AÇAÍ COM GRANOLA, BANANA OU TRABALHO INFANTIL?
Alessandro tem 13 anos, mas já é o melhor apanhador de açaí da sua
casa. Ele mora em Abaetetuba, a 70 km de Belém. Às 5h, ele já está de pé, a fim
de evitar o sol quente do Pará – ultrapassa os 35 graus às 10h. Seu corpo leve
e pequeno é a única garantia de segurança que ele tem ao subir nos açaizeiros.
A árvore da fruta, de
tronco fino e flexível, passa com frequência dos 20 metros de altura e faz
parte da paisagem e dos quintais de boa parte dos ribeirinhos do Pará. É
difícil encontrar quem não saiba fazer uma peconha, como é chamado o laço usado
para subir nas palmeiras e que batiza quem ganha a vida colhendo açaí, os
peconheiros. O trabalho exige destreza, e o aprendizado começa na infância.
O Pará é
o maior produtor de açaí do mundo. Vendemos, principalmente, para os EUA, Europa,
Austrália e Japão. E grande parte da colheita é feita por menores de idade como
Alessandro, em alguns casos em situações de trabalho análogo à escravidão.
As crianças são
especialmente valorizadas nesse mercado. Elas são leves, o que reduz acidentes
com a quebra dos galhos. Para otimizar o trabalho, muitos peconheiros se
arriscam pulando de uma palmeira para a outra. Assim não precisam perder tempo
descendo e subindo de árvore em árvore. Quanto mais frutas colhidas no menor
tempo, maior o lucro.
A missão de Alessandro é
ajudar o pai, Bolacha, e o irmão mais velho Adenilson, de 20 anos, a encher o
maior número de cestas de açaí possíveis antes que os atravessadores, que
revendem a fruta no porto, passem pela sua casa na metade da manhã. O material
de trabalho é mínimo: o laço da peconha e um facão enfiado na bermuda. Cada
cesto de cerca de 28 kg sai por entre R$ 15 e R$ 20. Em um dia de trabalho
dificilmente eles conseguem encher mais de 20 cestos.
Mãe de Alessandro, Jacira
Pereira conta que ela, o marido e os seis filhos vivem com R$ 641 que recebem
de Bolsa Família pelos cinco filhos menores de idade mais a renda que conseguem
com a venda do açaí – até R$ 500 nos meses bons. “É o que ajuda a comprar o que
comer”, me disse. O filho de dez anos ainda não trabalha “por ser novo demais”.
As duas meninas, de 12 e quatro anos, não sobem nas árvores, mas já ajudam a
debulhar os cachos da fruta.
sábado, 21 de dezembro de 2019
FÓRUM DO AMAPÁ AVALIA AÇÕES DE COMBATE AO TRABALHO INFANTIL REALIZADAS EM 2019
O Fórum Estadual de Prevenção e
Erradicação do Trabalho Infantil (Fepeti) do Amapá realizou reunião, nesta quinta-feira (19/12), para avaliar as ações realizadas em 2019. Uma das ações
realizadas em novembro de 2019, e que mereceu destaque na reunião, foi a participação do Fepeti nos eventos comemorativos dos 25 anos do Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho
Infantil (FNPETI). A jovem Darah Alessandra representou os adolescentes e jovens do Amapá no evento, por indicação do Fepeti. Desde 2016 ela representa o Amapá no Comitê
Nacional do Adolescentes pela Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (Conapeti).
O primeiro evento foi realizado no
dia 28.11.2019: colóquio sobre os
Desafios para a Eliminação do Trabalho Infantil. No dia seguinte, a Darah e demais adolescentes e jovens participaram da oficina de educomunicação. "Pude
também apresentar ao fórum a proposta de ação que foi elaborada por mim em
Brasília para realizar no dia 12 de junho - Dia Mundial de Combate ao Trabalho
Infantil, que o fórum Fepeti deu total apoio e o auxílio possível para a
realização", avalia Darah Alessandra.
sexta-feira, 20 de dezembro de 2019
MPT LANÇA CAMPANHA DE COMBATE AO TRABALHO INFANTIL NO VERÃO
O Ministério Público do Trabalho
(MPT) lançou, nesta sexta-feira (20), em Maceió, uma campanha de
conscientização para combater o trabalho infantil durante o período de verão. O objetivo é atuar em parceria com diversos
órgãos e empresas para reduzir trabalho infantil em Alagoas.
A campanha conta com o apoio da Prefeitura de Maceió, Governo de Alagoas,
Tribunal Regional do Trabalho (TRT/AL), Fórum de Erradicação do Trabalho
Infantil e Proteção ao Adolescente Trabalhador (Fetipat/AL), Serviço Nacional
do Comércio (Senac/AL) e Associação dos Conselheiros e Ex-Conselheiros
Tutelares de Alagoas (ACECTAL).
Em 2016, a Pesquisa Nacional por
Amostra de Domicílios (PNAD), realizada pelo IBGE, apontou a existência de 35 mil crianças e adolescentes
em situação de trabalho em Alagoas, na idade de 5 a 17 anos, sendo 28 mil em atividades econômicas
e 8 mil em atividades de sobrevivência. Os dados das PNAD 2017 e 2018 ainda não
foram divulgados pelo IBGE.
Em 2017, o
Censo Agropecuário, também realizado pelo IBGE, apontou a existência de 8,8 mil crianças e
adolescentes trabalhando em estabelecimentos agrícolas. Desse total, 89,4% tinha
menos de 14 anos. Por outro lado, a Provinha Brasil, realizada pelo MEC com crianças
e adolescentes de 5º e 9º anos do Ensino Fundamental, apontou 9,6 mil alunos que trabalham fora de casa, sendo 6,3 mil do 5º ano
e 3,3 mil do 9º ano.
quinta-feira, 19 de dezembro de 2019
VITÓRIA DAS CRIANÇAS: LIMINAR DO STF SUSPENDE DECRETO DE BOLSONARO QUE ESVAZIAVA CONANDA
O ministro Luís Roberto Barroso, do
Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu nesta quinta-feira (19) parte do
decreto 10.003/2019, do presidente Jair
Bolsonaro, que alterou o funcionamento do Conselho Nacional dos Direitos da
Criança e do Adolescente (Conanda).
A liminar, concedida em ação ajuizada
pela Procuradoria Geral da República, determinou:
-
restabelecimento do mandato dos antigos conselheiros até o fim;
- eleição dos representantes das
entidades da sociedade civil em assembleia específica, conforme o regimento
interno do Conanda;
- manutenção de realização de
reuniões mensais pelo órgão;
- pagamento do custo do deslocamento
dos conselheiros que não residem no Distrito Federal;
- realização da eleição do presidente
do Conanda na forma do regimento.
Conforme noticiado por esse blog, o Decreto 10.003, questionado pelo Ministério Público e por todos que lutam pelos direitos da criança e do adolescente, é mais um ato presidencial que
contraria a Constituição Federal. Editado no dia 4 de setembro de 2019, decreto impugnado alterou o Decreto nº 9.579,
de 22 de novembro de 2018, restringindo o funcionamento do Conselho Nacional
dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) e destituindo os atuais
Conselheiros.
Enquanto a Constituição Federal (art.
227) e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) determinam prioridade
absoluta e proteção integral para crianças e adolescentes, o malsinado decreto
desprestigiou o órgão nacional da infância,
destituindo todos os atuais conselheiros, empossados para o biênio
2019/2020. Ao longo desses três meses e meio ficaram prejudicadas todas as deliberações relativas às políticas publicas para criança e adolescentes da competência do Conselho.
Para o ministro Barroso, o decreto
"esvazia e inviabiliza" a participação de entidades no conselho. O
Conanda é responsável, entre outras coisas, por definir diretrizes para a
política nacional de defesa da criança e do adolescente, além de fiscalizar as
ações executadas pelo governo no que diz respeito à população infanto-juvenil.
sexta-feira, 13 de dezembro de 2019
MPT PARTICIPA DE CAPACITAÇAO DE CONSELHEIROS TUTELARES EM TOCANTINS
A Procuradora do Trabalho Lydiane
Machado e Silva (MPT/TO) participou, nesta sexta-feira (13/12) de mais uma capacitação
para conselheiros tutelares em Palmas-TO. O evento foi promovido pelo Centro de
Defesa da Criança e do Adolescente (Cedeca) de Tocantins. A Procuradora falou sobre
o papel dos conselhos tutelares no combate ao trabalho infantil. “Considero fundamental
a atuação dos Conselheiros no enfrentamento do trabalho infantil”, destaca Lydiane.
Essa é a terceira vez que o MPT participa desse tipo de capacitação no Estado no final de ano. No
dia 28 de novembro a Procuradora participou da capacitação de para conselheiros, promovida
pela Defensoria Pública do Estado.
No primeiro semestre de 2020 o MPT promoverá uma capacitação para os conselheiros de Tocantins, tratando especificamente sobre combate ao trabalho infantil e políticas públicas. A
iniciativa do MPT acontece também em outras Unidade da Federação. Procuradores
do Trabalho ligados à Coordenadoria Nacional de Combate à Exploração do Trabalho
da Criança e do Adolescentes (Coordinfância) tem buscado essa aproximação com
os conselheiros tutelares em o Brasil. O objetivo é fortalecer a rede proteção
e a luta contra o trabalho infantil. A capacitação dos conselheiros tem sido promovida tanto em eventos presenciais, quanto
por meio de EAD (educação a distância). O curso "Conselheiros Tutelares: importantes
atores no combate ao trabalho infantil" já contemplou milhares conselheiros
tutelares em todo o Brasil. BELÉM DEBATE AÇÕES ESTRATÉGICAS DE PREVENÇÃO E COMBATE AO TRABALHO INFANTIL
Aconteceu, nesta sexta-feira (13/12),
um seminário para debater ações estratégicas de prevenção e combate ao trabalho
infantil na cidade de Belém. O evento foi provido pela Secretaria Municipal em
parceria com a Secretaria de Estado de Assistência Social, Trabalho, Emprego e
Renda - SEASTER. Participaram do evento profissionais dos Cras, dos Creas,
Conselho Tutelar, Educação, Saúde, além de representantes do Fórum Estadual de
Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil.
O seminário objetivou contextualizar
a questão do trabalho Infantil, possibilitar reflexão sobre as implicações do
trabalho precoce no desenvolvimento social de crianças e adolescentes e debater
estratégias de enfrentamento ao trabalho infantil no município de Belém dentre
outros temas. Atuaram como palestrantes os seguintes profissionais: Elaine
Lobato Nery - Mestranda em Serviço Social/ Profa. Dra. Cilene Braga - UFPA /
Andrea Cardoso - SEASTER/ Lana Lemos - FUNPAPA e Ewerson Costa - Dieese.
Na avaliação da representante do Fórum Estadual, kleidilena Teles, Psicóloga, o evento foi importante para a
sensibilização dos parceiros na realidade e atuação de uma forma articulada com
estados, municípios e sociedade civil no sentido de implantarem estratégias
mais contundentes de combate ao trabalho infantil .
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