quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

A história de João




Era uma vez um menino chamado João. Ele tinha nove anos de idade e morava em um pequeno sítio junto com seus pais. João tinha uma vida muito triste, porque seu pai não permitia que ele estudasse ou muito menos, brincasse como os outros meninos do sítio vizinho. Sua função era ajudar seus pais na lida do campo.
O trabalho de João era muito pesado e cansativo para um menino de sua idade, pois ele tinha que cuidar dos animais do chiqueiro, galinheiro, ordenhar as vacas e a tarde ajudar na lavoura de milho e feijão capinando. Seu pai dizia que um homem devia aprender a trabalhar cedo. Que a família dependia disto, pois eram muito pobres, e que pobre nasce para trabalhar!
Mas João sonhava com um futuro melhor...  Nas poucas vezes em que ia até a cidade observava várias pessoas em seus empregos. Ele queria ser um gerente de Banco. Achava interessante como aquele homem se vestia e seu trabalho no computador. Coitado do João! Mal sabia ele que era preciso muito estudo para ele chegar aquele cargo.
Apenas trabalhando... trabalhando... João ficou mais velho. Os anos para João passavam sempre da mesma forma: só trabalho! Ele não podia contrariar o pai porque era menor de idade. Não havia uma só alma que o defendesse.
Aquela criança indefesa chegou à idade de 18 anos. Então decidiu ele ir para cidade realizar seu sonho: Ser gerente de Banco. Mas ao chegar a uma entrevista para seu primeiro emprego, viu tudo aquilo desmoronar, percebeu que sem estudo não conseguiria nada. Percebeu que para qualquer lugar que fosse seria da mesma forma. Teve sentimento de perca. Perca de um passado sem estudo. De um passado roubado.
Mas João, lutador que era, resolveu voltar a estudar. Foi até a escola mais próxima da qual estava morando e matriculou-se. Ao mesmo tempo, conseguiu um serviço de auxiliar de pedreiro. Trabalhava de dia e estudava a noite.
A vida continuava dura para João. Porém ele não se importava, já estava acostumado a sofrer. Perseverante, João hoje se tornou mais que um gerente de Banco...um procurador do trabalho. Ele atualmente luta em defesa de crianças e adolescentes.

Conto do Município de Caarapó-MS
4º lugar no Prêmio MPT na Escola 2016

A exploração do trabalho infantil: corta a infância, corta ossonhos.



No interior de uma pequena e calma cidade, onde o meio para conseguir dinheiro era uma carvoaria clandestina, onde o trabalho era muito, mas o salário era muito pouco, cada um ganhava conforme a sua produção. 
Alguns trabalhadores tinham a família muito grande, precisavam de um salário melhor. Então quase todas as famílias trabalhavam na carvoaria.
O dono da carvoaria “seu Maldonato”, sabia das necessidades de seus trabalhadores, era um homem ambicioso, sem coração e oportunista, pagava muito pouco.
Os problemas não eram só as más condições, o baixo salário e as humilhações imposta pelo dono daquele lugar. O motivo preocupante era a quantidade de crianças abaixo de treze (13) anos que trabalhavam naquele lugar.
Demétrius era uma dessas crianças cheia de sonhos e uma infância interrompida, pelo fato da realidade dele, sem direito de escolha. 
A fábrica era dividida por setores, em um cortavam as árvores, outro era levado para um forno para a queima das madeiras.
Demétrius era responsável pelo corte da madeira, um duro trabalho, mas ele precisava ajudar seu pai a sustentar a família, e trazer alimento para os irmãos menores. Antes de o galo cantar ele já estava de pé com seu machado, maior que o seu corpo e suas responsabilidades como criança.
Ele sonhava em ir para a cidade estudar, para no futuro dar uma condição de vida melhor para sua família.
Ele já devia estar no 8º ano/ 7ª série, mas nem se quer sabia ler ou escrever, ele não brincava, dedicava todo o dia na carvoaria, sua infância foi totalmente interrompida.
O mesmo machado que ele cortou as árvores cortou a sua infância, seus sonhos e seus estudos. Essa é a vida de Demétrius no Vilarejo Fumaça Feliz. 

Conto do Município de Presidente Prudente-SP
5º lugar no Prêmio MPT na Escola 2016