sábado, 1 de dezembro de 2012

PRÊMIO PETECA 2012 - POESIA DE CORDEL DE SOBRAL-CE

                                  O SONHO DE BENTINHO

Era uma vez um menino
Que era muito sonhador
Ele se chamava Bentinho
E queria ser doutor.
Para muitos uma bicicleta,
Um carrinho ou avião.
Mas o sonho de Bentinho,
O menino bem magrinho,
Era ter Educação.

Ele queria conhecer
No alfabeto o ABC
Na cartilha aprender
E se formar quando crescer.

Ir pra escola todo dia,
Ser aluno aplicado.
Tirar nota dez em tudo,
Até mesmo no ditado.

Pior que ele precisava
Ajudar o seu paim.
A luta diária era pesada
E o dinheiro bem pouquim.

Tão pequeno ele era
E só tinha sete anos
Uma jornada tão difícil
Que acabava com seus planos

Ele ficava todo dia
Esperando a menineira
Que passava pra escola
Todos juntos numa fileira.

Triste ficava
Com uma dor no coração
Vontade de ter livros
Como sua grande paixão.

Aos poucos ia se conformando
Com a enxada e a plantação
Que alimentava sua família
E segurava o rojão.

Mas algo ali restava
E se chamava Esperança
Isso lhe dava muita força
E tamanha Perseverança
E ele via no horizonte
O seu sonho de criança.

Um dia cedo acordado
Assistindo televisão
Viu uma reportagem
Sobre a Constituição
Nela, o homem dizia:
- Criança tem direito a Alegria
E também Educação.

Sem muito pestanejar
Correu pra plantação
E pôs-se a gritar:
- Pai vá me matricular,
Pois eu quero estudar
E tenho direito a educação!

Seu pai pensava diferente:
Que menino é pra trabalhar
Pra aprender a ser gente
E que nada ia adiantar
Esse negócio de estudar
Que Bentinho já era inteligente.

O menino pôs-se a chorar
Pra chamar atenção
Seu pai nem se importava
Só sabia de plantação.

Passaram-se dias e o mesmo chororô
O pai ficava gritando:
- Esse menino é abestado,
Pensa que vai ser letrado
E se tornar um dotô!

Bentinho num sobressalto
Se aproveitou da situação
Foi falando logo alto:
- Eu lhe mostro minha educação!

O pai retrucou:
- Menino tu não me amola
Que amanhã te ponho na escola
Tu vai parar de chororô.
Mas tu vai ter que me mostrar
Que vai muito estudar
E ser um grande dotô.

No outro dia com muita felicidade
O pai levou o menino
Pra estudar na cidade
Ele ficou abismado
Com tanta novidade.

Logo nas primeiras aulas
Aprendeu a soletrar
Bê com á, BA
Cê com á, CA
E gostava de brincar.

No final de cada aula
Com muita empolgação
Voltava para casa
Lendo as placas de atenção.

Ficava bestificado
Pensando que era só quadrado
Mas quando unia as letras
Batia forte seu coração.

Num dia muito festivo
Bentinho foi muito contente
Pra  aula mais diferente
De todo o ano letivo
Que tinha como tema
“Criança também é gente,
Tem direito a educação
E a ser inteligente”.

Desse tal de Direito
Bentinho muito sabia
Lembrou-se da reportagem
Que ouviu outro dia
Dessa tal de Constituição
Que fala da Educação
E do direito a Alegria.

No entanto, a professora,
Linda que nem boneca,
Apresentou pra sala,
Um livrinho chamado ECA.

Este livro trata dos Direitos
E deveres da criança,
Dando a todas elas
Um pouco de esperança.

Longa foi a aula
E muito o aprendizado
Bentinho voltou pra casa
Todo empolgado
Já sabia de có
Seus Direitos resguardados.

Contou pro pai 
O que tinha aprendido
E que trabalhar agora
Tava era repreendido!
O véi muito animado
De nariz empinado
Começou o chororô
E foi logo dizendo:
- Meu filho, tu vai ser um bom dotô!

E assim foi a história
De um sonho não acabado
O menino Bentinho
Que sofreu um bocado

Como muitos pelas ruas
Dessa grande nação
Que cortam cana,
Mas que tem um coração.
E já não querem mais sofrer
Com tanta exploração.



ESCOLA PADRE OSVALDO CHAVES
MODALIDADE: LITERATURA
SUB-MODALIDADE: POESIA DE CORDEL
TÍTULO: O SONHO DE BENTINHO
PROFESSORA: GEORGIA BEZERRA GOMES
ALUNO: FRANCISCO FABRÍCIO GADELHA




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